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O pleonasmo da educação inclusiva 04 julho 2010 em 22:47 por Cristovão Lemos

Rodrigo Mendes

Você não acha que a criança com deficiência deveria continuar a ser atendida por escolas especiais? Essa foi uma das perguntas que recebi durante uma palestra virtual que dei há alguns dias para uma rede particular de ensino. A “webespectadora” era professora em Barbacena, Minas Gerais. Concluiu sua pergunta argumentando que a maioria das escolas estava despreparada para acolher crianças com essa particularidade.

A concepção de uma educação inclusiva não surgiu por acaso. É fruto de um histórico de reflexões, experiências e aprendizados orientados pela idéia de que todo ser humano tem o direito de ser tratado como igual. Isso quer dizer que toda criança deve receber o mesmo tipo de atendimento? Nem sempre. Tratar como igual não é sinônimo de tratar igualmente. No caso de uma criança com alguma deficiência, parece não haver dúvida de que seja necessário um atendimento especializado, conduzido por profissionais capacitados. O modelo adotado pelo nosso Ministério da Educação prevê que isso ocorra no contra turno das aulas “comuns”, de forma a zelar pelo direito da criança freqüentar também a sala de aula regular e desfrutar de seus benefícios e desafios. Não se trata, portanto, de substituir, mas de somar.

É claro que estamos falando de assunto delicado, cuja implementação é extremamente complexa. Meras generalizações não dão conta do recado. No entanto, se estamos de fato comprometidos com o ideal de igualdade, esse debate é inadiável. E por isso diz respeito a cada um de nós? Basta nos perguntarmos como seríamos hoje se, durante toda a infância, fôssemos privados do contato com o ambiente escolar “normal”. Ou, por outro lado, se não seríamos mais preparados para a vida em uma sociedade plural se tivéssemos interagido com crianças de toda natureza de forma rotineira, natural. Como diz o amigo Lino de Macedo, em pleno século 21, educação inclusiva deveria ser um pleonasmo.

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+ Falar com as mãos Por Cristovão Lemos 23 junho 2010 em 14:10 e Nenhum Comentário

Levar os surdos para a sala regular exige nova postura do professor, tato para lidar com o intérprete e, acredite, muitas explicações orais

Cinthia Rodrigues (Cinthia Rodrigues)

O VALOR DA FALA NAS AULAS COM SURDOS
A professora de Geografia Marilda Dutra, de São José, na Grande Florianópolis, aprendeu rápido que o uso
do quadro-negro precisa ser revisto. Acostumados com a comunicação oral, os alunos com deficiência têm maiores dificuldade para ler. “Quando escrevo,
é mais difícil perceber quem entendeu. Se explico,
vejo no rosto de todos (dos que escutam e não) se estão acompanhando. Desenho e gesticulo o quanto precisa.”. Foto: Eduardo Lyra

A inclusão de crianças com deficiência auditiva sempre foi polêmica, mas recentemente ganhou um novo rumo em nosso país. De acordo com a política do governo federal, elas não devem mais ficar segregados nas escolas especiais e precisam estudar desde cedo em unidades comuns, com um intérprete que traduza todas as aulas para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o contraturno preenchido por atividades específicas para surdos. Problema resolvido? Nem de longe. Enquanto entidades do setor ainda denunciam a falta de estrutura para a implementação das regras (leia o quadro na página 74), os docentes já começam a receber parte dessa nova clientela e estão criando formas próprias de trabalho – muitas com sucesso.
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