Conjunções Por Cristovão Lemos 08 agosto 2010 em 19:24 e Nenhum Comentário

Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da mesma oração.

Do ponto de vista semântico, a conjunção pode assumir vários significados, dependendo da relação que estabelece entre as orações.

Do ponto de vista morfológico, a conjunção é invariável, não possuindo, portanto, flexão de gênero, número e grau.

Do ponto de vista sintático, a conjunção funciona sempre como conectivo, relacionando duas orações ou dois termos da mesma oração.

Quando duas ou mais palavras equivalem a uma conjunção, tem-se a locução conjuntiva. Ex.: visto que, à medida que, salvo se.

As conjunções classificam-se em coordenativas e subordinativas.

  • · As conjunções coordenativas são as que ligam orações ou termos da oração sintaticamente independentes. As conjunções coordenativas classificam-se de acordo com o tipo de relação que estabelecem entre as orações:

ADITIVAS: apenas ligam as orações, sem acrescentar outra relação entre elas. Ex.: e, nem,

mas, mas também, como também, bem como, que (= e), senão.

Li bons livros e assisti a bons filmes.

Não sou alegre nem sou triste.

Os livros não só instruem mas também divertem.

ADVERSATIVAS: ao ligar as orações, estabelecem também uma relação de contraste ou oposição entre os fatos. Ex.: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto, não obstante, senão, ao passo que, antes (= pelo contrário), apesar disso, em todo caso.

Estudou muito; no entanto, aprendeu pouco.

Correu muito, mas chegou atrasado ao trabalho.

ALTERNATIVAS: ao ligar as orações, exprimem uma relação de alternância ou de exclusão entre os fatos. Ex.: ou, ou…ou, já…já, ora…ora, quer…quer, seja…seja, umas vezes…outras vezes, talvez…talvez.

Quer chova, quer faça sol, irei ao mercado.

Fale agora ou cale-se para sempre.

Ou você estuda ou arruma um emprego.

EXPLICATIVAS: ao ligar as orações, introduzem uma justificativa da declaração anterior. Ex.: porque, que, porquanto, pois (anteposto ao verbo).

Não reclame, porque de nada adianta.

Não soltem balões, que podem causar incêndios.

CONCLUSIVAS: ao ligar as orações, introduzem uma conseqüência lógica da declaração anterior.

Ex.: portanto, logo, por isso, por conseguinte, pois (posposto ao verbo), assim, então, em vista disso.

Penso, logo existo.

Não temos dinheiro, portanto não iremos ao teatro.

O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te.

  • · As conjunções subordinativas ligam orações sintaticamente dependentes. Assim, as orações

introduzidas por conjunções subordinativas desempenham um papel sintático em relação à oração da qual dependem. De acordo com a relação estabelecida entre a oração dependente e a oração principal, as conjunções subordinativas classificam-se em:

INTEGRANTES: apenas integram a oração dependente à oração principal, sem expressar outra relação. Ex.: que, se.

Espero que tudo termine bem.

Não sei se estou à altura desta tarefa.

CAUSAIS: introduzem a oração dependente enquanto causa geradora da conseqüência expressa na oração principal. Ex.: porque, que, pois, visto que, já que, uma vez que, como (= visto que), porquanto.

Como estávamos famintos, resolvemos almoçar por perto.

Visto que era ingênuo, não percebia as cantadas que recebia.

COMPARATIVAS: introduzem oração dependente como fato com a qual se compara o fato expresso na oração principal. Ex.: que ou do que (após mais, menos, maior, menor, melhor, pior), qual ou como (após tal), como ou quanto (após tão, tanto), como (o verbo das duas orações deve ser o mesmo), assim como.

Esta estrutura é mais resistente que aquela examinada anteriormente.

Eles realizam menos do que prometeram.

CONCESSIVAS: introduzem a oração dependente como circunstância que poderia alterar o fato expresso na oração principal, mas que não interfere. Ex.: embora, ainda que, nem que, mesmo que, posto que, conquanto, apesar de que.

Embora estivesse cansado, aceitou o convite.

Apesar de que estivesse sendo sincero, poucos acreditaram naquela fantástica versão dos fatos.

CONDICIONAIS: introduzem a oração dependente como condição para a realização da ação expressa na oração principal. Ex.: se, caso, contanto que, salvo se, sem que (= se não), desde que (com verbo no subjuntivo), a menos que, a não ser que (= se não).

Se ele for eleito presidente, caio fora

Caso o veja, mande-lhe um abraço.

FINAIS: introduzem a oração dependente como finalidade da ação expressa na oração principal.

Ex.: para que, a fim de que, porque (=para que), que.

Faz muitos exercícios físicos a fim de manter a forma.

Afastou-se depressa para que não o víssemos.

CONSECUTIVAS: introduzem a oração dependente enquanto conseqüência gerada a partir da causa expressa na oração principal. Ex.: que (combinada com uma das palavras tal, tanto, tão ou tamanho, presentes ou latentes na oração anterior), de forma que, de maneira que, de modo que, de sorte que.

O rapaz era tão alto que todos o olhavam espantados.

Ontem estive doente, de modo que não saí.

TEMPORAIS: introduzem a oração dependente como circunstância de tempo em que se realiza a ação expressa na oração principal. Ex: quando, enquanto, antes que, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, cada vez que, apenas, mal.

Mal ele chegou, eu saí.

Quando tocou o sino, todos entraram em silêncio.

Desde que o mundo existe, sempre houve problemas.

PROPORCIONAIS: introduzem a oração dependente como circunstância de certa proporção em relação à ação expressa na oração principal.

Ex.: à medida que, ao passo que, à proporção que, quanto mais, quanto menos.

Quanto mais leio este texto, menos o entendo.

À medida que se vive, mais se aprende.

CONFORMATIVAS: introduzem a oração dependente como circunstância conforme a qual se realiza a ação expressa na oração principal.

Ex.: segundo, conforme, consoante, como (=conforme).

Segundo se apurou nas últimas pesquisas, o candidato vencerá as eleições.

Fizemos o trabalho conforme o cliente pediu.

Algumas dificuldades quanto à identificação e ao uso das conjunções:

- As conjunções e, quando e agora são conjunções adversativas sempre que equivalerem a MAS:

A ferida foi tratada e infeccionou (e = mas)

Fizeram o trabalho a lápis quando poderiam tê-lo feito a tinta (quando = mas)

Gosto de desfrutar de certos prazeres; agora escravizar-me a eles, não. (agora = mas)

- Não se juntam as condicionais se e caso; usa-se ou uma ou outra.

Se ele vier, ficarei feliz!

Caso ele não venha, ficarei triste.

É imprópria a construção: Se caso ele vier…

- A conjunção COMO será comparativa se o verbo das duas orações for o mesmo e será conformativa se os verbos forem diferentes:

Meu amor me ensinou a ser simples como um largo de igreja (mesmo verbo (ser) = comparativa).

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