NARRAÇÃO (1) Por Cristovão Lemos 23 setembro 2010 em 21:31 e Nenhum Comentário

NARRAÇÃO (1)

A narração tem o objetivo de contar uma história real, fictícia ou que mescle dados

reais e imaginários. Baseia-se numa evolução de acontecimentos, mesmo que não

mantenham relação de linearidade com o tempo real. Sendo assim, está pautada em

verbos de ação e conectores temporais.

A modalidade narrativa de texto pode constituir-se de diferentes maneiras: piada,

peça teatral, crônica, novela, conto, fábula etc.

Tipos de narrador

A narrativa pode estar em 1ª ou 3ª pessoa, dependendo do papel que o narrador assuma

em relação à história. Numa narrativa em 1ª pessoa, o narrador participa ativamente dos

fatos narrados, mesmo que não seja a personagem principal (narrador =

personagem).

Exemplo:

Estava andando pela rua quando de repente tropecei em um pacote embrulhado em jornais.

Peguei-o vagarosamente, abri-o e vi, surpreso, que lá havia uma grande quantia em dinheiro.

Já a narrativa em 3ª pessoa traz o narrador como um observador dos fatos que pode até

mesmo apresentar pensamentos de personagens do texto (narrador = observador).

Exemplo:

João estava andando pela rua quando de repente tropeçou em um pacote embrulhado em jornais.

Pegou-o vagarosamente, abriu-o e viu, surpreso, que lã havia uma grande quantia em dinheiro.

O bom autor toma partido das duas opções de posicionamento para o narrador, a fim de criar

uma história mais ou menos parcial. Este pode ser, basicamente, de dois tipos:

OBSERVAÇÃO:

Em textos que apresentam o narrador em lª pessoa, ele não precisa ser necessariamente o

personagem principal; pode ser somente alguém que, estando no local dos acontecimentos,

presenciou-os.

Exemplo:

Estava parado no ponto de ônibus, quando vi, a meu lado, um rapaz que caminhava lentamente

pela rua. Ele tropeçou em um pacote embrulhado em jornais. Observei que ele o pegou com todo o

cuidado, abriu-o e viu, surpreso, que lá havia uma grande quantia em dinheiro.

Elementos da narração

Todo texto narrativo conta um FATO que se passa em determinado TEMPO e LUGAR. A narração

só existe na medida em que há ação; esta ação é praticada pelos PERSONAGENS.

Um fato, em geral, acontece por uma determinada CAUSA e desenrola-se envolvendo certas

circunstâncias que o caracterizam. É necessário, portanto, mencionar o MODO como tudo

aconteceu detalhadamente, isto é, de que maneira o fato ocorreu. Um acontecimento pode provocar

CONSEQÜÊNCIAS, as quais devem ser observadas.

Assim, os elementos básicos do texto narrativo são:

1.FATO (o que se vai narrar);

2.TEMPO (quando o fato ocorreu);

3.LUGAR (onde o fato se deu);

4.PERSONAGEM (quem participou do ocorrido ou o observou);

5.CAUSA (motivo que determinou a ocorrência);

6.MODO (como se deu o fato);

7.CONSEQÜÊNCIA (geralmente, provoca determinado desfecho).

8.CONFLITO: é o porquê da história, a razão dela ter sido contada. A narrativa precisa de, pelo menos, um conflito (choque de interesses) para que não resulte num relato.

9.FINAL: consiste, conhecendo o fato, numa antecipação do final da história.

Narração objetiva X Narração subjetiva

A narração objetiva

Objetiva: apenas informa os fatos, sem se deixar envolver emocionalmente com o

que está noticiado. É de cunho impessoal e direto.

Ocorreu um pequeno Incêndio na noite de ontem, em um apartamento de propriedade do Sr.

Marcos da Fonseca.

No local habitavam o proprietário, sua esposa e seus dois filhos. Todos eles, na hora em que o

fogo começou, tinham saldo de casa e estavam jantando em um restaurante situado em frente ao

edifício. A causa do incêndio foi um curto circuito ocorrido no precário sistema elétrico do velho

apartamento.

O fogo despontou em um dos quartos que, por sorte, ficava na frente do prédio. O porteiro do

restaurante, conhecido da família, avistou-o e imediatamente foi chamar o Sr. Marcos. Ele, mais

que depressa, ligou para o Corpo de Bombeiros.

Embora não tivessem demorado a chegar, os bombeiros não conseguiram impedir que o quarto

e a sala ao lado fossem inteiramente destruídos pelas chamas. Não obstante o prejuízo, a família

consolou-se com o fato de aquele incidente não ter tomado maiores proporções, atingindo os

apartamentos vizinhos.

Vamos observar as características dessa narração.

O narrador está em 3ª pessoa, pois não toma parte na história. Outra característica que deve ser

destacada é o fato de a história ter sido narrada com objetividade: o narrador limitou-se a contar

os fatos sem deixar que seus sentimentos, suas emoções transparecessem no decorrer da

narrativa.

Este tipo de composição denomina-se narração objetiva. É o que costuma aparecer nas

“ocorrências policiais” dos jornais, nas quais os redatores apenas informam os fatos, sem se deixar

envolver emocionalmente com o que estão noticiando. Este tipo de narração apresenta um

cunho impessoal e direto.

A narração subjetiva

Subjetiva: leva-se em conta as emoções, os sentimentos envolvidos na história.

São ressaltados os efeitos psicológicos que os acontecimentos desencadeiam

nas personagens.

Existe também um outro tipo de composição chamado narração subjetiva. Nela os fatos são

apresentados levando-se em conta as emoções, os sentimentos envolvidos na história. Nota-se

claramente a posição sensível e emocional do narrador ao relatar os acontecimentos. O fato não

é narrado de modo frio e impessoal, ao contrário, são ressaltados os efeitos psicológicos que os

acontecimentos desencadeiam nos personagens. É, portanto, o oposto da narração objetiva.

Daremos agora um exemplo de narração subjetiva, elaborada também com o auxílio do

esquema de narração. Escolhemos o narrador em lª pessoa. Esta escolha é perfeitamente

justificável, visto que, participando da ação, ele se envolve emocionalmente com maior facilidade na

história. Isso não significa, porém, que uma narração subjetiva requeira sempre um narrador

em lª pessoa e vice-versa.

Com a fúria de um vendaval

Em uma certa manhã acordei entediada. Estava em minhas férias escolares do mês de julho. Não

pudera viajar. Fui ao portão e avistei, três quarteirões ao longe, a movimentação de uma

feira livre.

Não tinha nada para fazer, e isso estava me matando de aborrecimento. Embora soubesse que

uma feira livre não constitui exatamente o melhor divertimento do qual um ser humano pode dispor,

fui andando, a passos lentos, em direção aquelas barracas. Não esperava ver nada de original, ou

mesmo interessante. Como é triste o tédio! Logo que me aproximei, vi uma senhora alta,

extremamente gorda, discutindo com um feirante.

O homem, dono da barraca de tomates, tentava em vão acalmar a nervosa senhora. Não sei por

que brigavam, mas sei o que vi: a mulher, imensamente gorda, mais do que gorda

(monstruosa), erguia seus enormes braços e, com os punhos cerrados, gritava contra o feirante.

Comecei a me assustar, com medo de que ela destruísse a barraca (e talvez o próprio homem)

devido à sua fúria incontrolável. Ela ia gritando e se empolgando com sua raiva crescente e ficando

cada vez mais vermelha, assim como os tomates, ou até mais.

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